terça-feira, 1 de janeiro de 2013

14ª Corrida - 88ª São Silvestre


A empreitada para minha última corrida do ano começou no sábado. De carona com um amigo fui de Piracicaba a Guarulhos, e por lá dormiria de sábado para domingo. Além de gostar muito de corridas, também sou um amante de boas cervejas, e no sábado a noite meu amigo Matheus (Numas) me levou a um bar muito legal, o Weiss Bier, que possui uma carta imensa com cervejas nacionais e internacionais. Um belo combustível para a corrida de segunda-feira.

No domingo fui buscar o kit no ginásio do Ibirapuera e tudo me pareceu bem organizado e agilizado. O kit era composto por camiseta, número de peito, amostras de café Três Corações, folhetos promocionais, balinhas Montevergine, amostra de desodorante Rexona e gel de carboidrato Carb Up. Depois da retirada, passávamos obrigatoriamente numa feirinha com muitos equipamentos para corredores...
Não foi fácil passar por lá e não querer comprar nada. rs! De lá fui pra casa da minha prima, onde fiquei hospedado, local bem próximo à estação Santos-Imigrantes da linha verde do metrô de São Paulo. Rapidinho estaríamos no local da largada, digo estaríamos porque o marido da minha prima, o Gláucio também correu a São Silvestre. Planejamento feito. Agora era só acordar bem cedo e tomar um bom café da manhã. Aproveito para agradecer a Amélia e o Gláucio pela estadia e pelo suporte nessa última prova de 2012. Meu sincero OBRIGADO!

Feirinha no dia da retirada do kit

Pulei da cama cedo, e um turbilhão de sentimentos fez com que eu fizesse isso tão rápido, que até estranhei. Era, talvez, um prenúncio do que viveria naquele dia. Às 8h30 da manhã desci na estação Trianon-Masp tranquilamente, procurei por alguns amigos e fui seguindo para o local da largada. Ingenuamente fui caminhando na mão esquerda da Av. Paulista, pois achei que a largada seria dada em ambos os lados da afamada avenida. Mas não, seria somente à direita, sabendo disso entrei no “bolo”, bem próximo à largada por sorte. Em poucos minutos passei por sobre o leitor do chip. Depois soube que muitas pessoas largaram com um atraso de pelo menos 20 minutos. Sorte de principiante!

Kit de participação
A largada de hoje foi um ótimo aprendizado em como “competir” com tanta gente ao mesmo tempo. Tanta gente ao mesmo tempo e gente com “tempos” diferentes, o cara que corre rápido, o que corre devagar, o parecido com você, o figura, o tiozinho... É difícil, mas muito interessante essa diversidade. Naquele momento decidi que ia curtir a prova e prestar muita atenção naquilo tudo, e sentir todo o apoio de todas as pessoas nas calçadas das ruas e avenidas de São Paulo.

Largada (foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)
Fiz uma prova dentro dos meus limites, e não fiz nada além do simulado nos treinos. Isso foi muito importante para enfrentar a tão temida subida da Brigadeiro e a menos comentada, mas em meu ver a mais difícil, subida do viaduto Eng. Orlando Murgel e Av. Rio Branco. Por quê? Porque é um trecho em que os corredores são afunilados, ou seja, todo mundo corre muito junto, e é um ponto importante pois passa um pouco da metade da prova, e se o atleta forçar ali, o preço é alto no restante da prova, principalmente na subida da própria Brigadeiro. Finalizei os 15 km em 1:30:03, um pace de 6 min/km e peguei a medalha, que é muito linda!! Na classificação geral fiquei em 5941º (de 16.253) e na faixa etária em 464º (de 1.283).

Medalha
Como havia previsto, essa prova coroou um ano maravilhoso pra mim, talvez um dos melhores nos últimos tempos. Por isso hoje vivi uma mistura de sentimentos e emoções que não consigo explicar para ninguém. Pensei em todas as dificuldades que passei para estar ali naquele momento, correndo a maior prova de rua do Brasil, ao lado de pessoas que podem ter passado ou não mais dificuldades que eu. Mas todo mundo estava ali, provando para todos o quão heróis são. Aliás, “heróis”... Essa palavra foi dita muitas vezes ao longo de todo percurso por corredores e espectadores. A cada momento que a escutava ficava tentando encontrar um sentido pra ela. Creio que o heroísmo em si anda muito junto ao sucesso, e não a toa pessoas que fazem sucesso se tornam heróis de alguma maneira. Dessa forma bolei uma equação que tenta explicar um pouco isso, e é simples assim: TRABALHO + ALEGRIA + SAÚDE = SUCESSO. Quem sabe os “heróis” que estavam nas ruas de São Paulo ontem despertem em pelo menos uma pessoa a vontade de se tornar um herói também.

E quanto ao final da prova? Emocionante! Os dois lados da avenida tomados por muita gente incentivando. Sensação indescritível. Só vivendo para saber.

Vou ficando por aqui e aproveito para desejar a todos um 2013 cheio de realizações, mas lembre-se que o SUCESSO só é alcançado com SAÚDE, muito TRABALHO e uma dose grande de ALEGRIA.

Abraços!

ps: Deixo meus sentimentos à família do Israel de Barros, atleta cadeirante que faleceu após perder o controle de sua cadeira de rodas e colidir com o muro do estádio do Pacaembu. Que a organização tome providências quanto a isso, e que não venha a acontecer novamente nas próximas corridas, não só na São Silvestre, mas em todas daqui pra frente.